sexta-feira, maio 19, 2006

Quem manda aqui...

«O relatório de 11 páginas, do Comité Anti-Tortura da ONU, que avalia a adesão dos EUA ao Tratado Internacional Contra a Tortura, conclui que "o Estado deve parar com as detenções na Baía de Guantanamo e fechar o estabelecimento".»
in Público

Não disseram «se faz favor»! Assim, não paramos nem fechamos!

quinta-feira, maio 18, 2006

“The price of empire is America's soul, and that price is too high.”
J. William Fulbright
Taxa de desemprego nos E.U.A.

Preços sobem ao ritmo de lucros

A PT aumentou o seu lucro em 15,6% no primeiro trimestre para uns simpáticos 210,9 milhões de euros, qualquer coisa como 21 primeiros prémios do Euromilhões.
Para tão belo resultado terá decididamente contribuído o aumento dos preços de todos os serviços prestados por tão respeitável, honesta e idónea empresa.

Estatística indutiva

O Público anuncia que o «número de inscritos nos centros de emprego caiu dois por cento em Abril». Ora todos sabemos (ou deveríamos saber) como funciona o IEFP. Forçam os inscritos a fazer formação profissional que não lhes interessa e... zás! risca dos inscritos. Foste a uma entrevista? zás! risca.
Se a esses pobres que são desempregados para todos os efeitos (os mais nefastos) menos para efeitos estatísticos juntarmos os outros pobres diabos que andam a recibos verdes ou nem isso, começamos a ter ideia do panorama do mercado de trabalho em Portugal. E os empresários, para-empresários, proto-empresários e correspondentes políticos defendem ainda mais liberalização. Fossemos nós como os franceses, que ainda sabem juntar as vozes do povo numa só quando é preciso.

quarta-feira, maio 17, 2006

Troubadour electronique

Frederic Galliano and the African Divas
2002, FCommunications






Il fut un temps où l’Inde, puis la Jamaïque, le Maroc ou Cuba, figuraient parmi les destinations favorites des musiciens européens et nord-américains en quête de ressourcement ou d’exotisme. L’Afrique de l’Ouest est également devenue une étape obligée. Frédéric Galliano s’en est allé au Mali, en Côte d’Ivoire, Niger, Sénégal et Guinée, enregistrer onze splendides voix de femmes, dont celle de Nahawa Doumbia. Installant son studio mobile au gré des possibilités, ce troubadour électronique a durant quatre ans sillonné la brousse sahélienne et ses îlots de maquis urbains. Le principe était de capter au mieux ces voix dans leur environnement naturel, puis de leur offrir le plus bel écrin possible, à l’aide de machines pas naturelles du tout. Galliano n’en est pas à son coup d’essai. Avant “ African divas ”, il avait déjà produit des disques de musique africaine acoustiques et réalisé des remixes électro d’airs afro pour son label Frikyiwa – auparavant, on l’avait connu comme l’un des pionniers du mélange house et jazz. Si les voix sont restituées avec le plus grand respect, Galliano ne s’est aucunement censuré en ce qui concerne les arrangements électroniques. Très prononcés, qu’ils soient atmosphériques ou percussifs, ceux-ci servent pourtant avec subtilité le chant profond des divas. Belle, mais périlleuse, l’expérience s’avère fructueuse. Elle donne un double disque fort copieux, dont on découvre peu à peu le charme étrange.

Os Sete Pecados Mortais do SIADAP

Com o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP), o governo - os governos, já que Sócrates que tanto falou contra quando era oposição, aceitou o modelo ao conquistar o poder - pretende apostar no modelo da meritocracia na Administração Pública. Mais uma vez as intenções inegavelmente benévolas da teoria não foram acompanhadas da devida competência prática ao desenhar, estabelecer e implementar o dito sistema. Minado de incoerências, injustiças, erros tácticos e técnicos, o sistema é uma montra de incompetência e mais um ataque mal disfarçado ao sector público dos trabalhadores portugueses. E os pecados são sete:

Soberba. Embora o sistema o preveja, a avaliação dos serviços públicos e dos dirigentes máximos não foi ainda implementada. Assim, apenas os funcionários serão avaliados, por objectivos pelos quais os dirigentes e os serviços não serão responsabilizados. Este continua a ser um tabu na discussão sobre a Administração Pública. Os dirigentes deverão ser recrutados por confiança política? E isso deve isentá-los de serem avaliados? O Governo tem tentado disfarçar a situação com Cartas de Missão e outros instrumentos. Esperamos pelo primeiro despedimento por não cumprimento de objectivos ou perda de remuneração.

Avareza. A fixação de quotas, liricamente apelidadas de percentagens máximas, parte do princípio de que apenas 5% dos funcionários públicos são excelentes e apenas 20% muito bons. Se tal for teoricamente aceitável para uma população de 700 mil indivíduos, perde o sentido ao ser aplicado em cada instituição de per si. Isto entra aliás em perfeita contradição com o programa «excelência na administração pública» já que dificilmente haverá um serviço de excelência com tão poucos trabalhadores excelentes. Diz-nos a teoria e a prática (no sector privado) que as quotas para indivíduos deverão estar dependentes do mérito global do serviço onde estão. Como não há avaliação de serviços, isso não poderá ser aplicado neste caso.

Luxúria. A subjectividade da componente «Atitude pessoal» é uma arma de discricionaridade na mão do avaliador, já que não é sustentada em qualquer critério minimamente objectivo. Atitude pessoal poserá assim ser facilmente confundida com Amigo, Compadre, Cunha ou Sobrinho.

Gula. A pressa com que a legislação foi produzida e aprovada, tendo revogado o sistema anterior, deixou de fora, para posterior regulamentação, todas as situações específicas que não caiam no formato das carreiras do regime geral.

Preguiça. Ainda por causa da pressa, dirigentes máximos, intermédios e funcionários demonstram uma total ignorância sobre o funcionamento do sistema (expectável, face à falta de diálogo, formação e informação), e sobretudo sobre o modelo de gestão que o alicerça: a gestão por objectivos. Não havendo um profundo processo de formação e sensibilização de todos, dificilmente o modelo poderia funcionar. Tendo sido implementado a partir de Julho de 2004 com a definição de objectivos para cada funcionário, essa definição violou o princípio da abordagem em cascata a que deve obdecer tal modelo. Assim, temos serviços sem objectivos, mas onde cada funcionário os tem para si definidos.

Inveja. O particular caso dos dirigentes intermédios é interessante de analisar. Foram envolvidos no processo como Avaliadores mas também como Avaliados. No entanto, não se lhes aplicam algumas das regras mais discutíveis. Assim, não têm quotas para as classificações de Excelente ou Muito Bom. Está por isso a dizer-se que todos serão em potência excelentes dirigentes, isto, num país onde é sobejamente conhecido o défice em competências directivas.
Também a componente da «Atitude Pessoal» foi excluída da aplicação ao grupo dos dirigentes intermédios – terão todos uma atitude positiva.

Ira. Pois como se não bastasse o SIADAP, o governo prepara-se para aprofundá-lo em estreita ligação com o novo modelo de carreiras e retribuições na Administração Pública. Novo modelo esse que está nas mãos de um desqualificado e improdutivo jurista, que confessou já estar enamorado por «position-based systems» à imagem dos sistemas nórdicos e anglo-saxónicos, esquecendo que não vive numa sociedade sequer semelhante. Estamos pois perante uma nova vaga de ataques dementes aos trabalhadores do sector público.

«Tá no papo»

... pensa Pina Moura. Se por acaso a Iberdrola ganhar o consurso da licença de exploração da energia eólica, não escapará à acusação de que já tinha conhecimento, o que é obviamente ilegal. De resto, como pode uma empresa avançar para a contratação de pessoal antes de saber se vai precisar dele.
Políticos que são comerciantes, legisladores que viram empresários, clientes que são fornecedores, bombeiros que vendem material anti-fogo, polícias que vendem armas, autarcas que são dirigentes de futebol e presidentes de juntas metropolitanas e de mais meia dúzia de empresas que fornecem aqueles todos. Enfim, fica tudo entre primos e enteados... E ainda dizem que isto não é África. Pois não. É pior porque achamos que somos europeus.

terça-feira, maio 16, 2006

Touro enraivecido

A história encarrega-se de registar o progresso que cada sociedade faz no sentido da sua modernização, não só de instrumentos mas também e sobretudo, de práticas e valores. Em relação às touradas, os seus defensores têm apenas um argumento: a tradição. Argumento que a história se encarrega de negar. Já foi tradição queimar judeus no Rossio, já foi tradição ser dono de escravos, já foi tradição caçar baleias nos Açores. É tradição apedrejar mulheres adúlteras até à morte no norte da Nigéria, é tradição forçar crianças asiáticas e sul-americanas a prostituir-se.
Só quando a maioria dos portugueses se exprimir claramente contra as touradas poderemos começar a pensar em proibí-las na lei. Outras sociedades já o fizeram e desconfio que Portugal se deixará ficar para o fim. Aqui na nossa comparada Espanha, há já desenvolvimentos; Na Catalunha, as touradas foram mesmo proibídas. E isto, num país onde as touradas são ainda cartão de visita.
Esperemos então que a sociedade portuguesa evolua um pouco mais. Sem esquecer que este é o país onde o Supremo Tribunal de Justiça admite como normal e encoraja até dar umas estaladas numa criança deficiente.

O maior banco do mundo

Como se chega a maior banco do mundo?
Será através de operações ilícitas de especulação financeira que, sendo multadas em dezenas de milhões de Euros, rendem milhares de milhões de Euros? O Citigroup parece achar que sim.
Será fazendo tudo para tornar os mercados mais obscuros e impermeáveis aos pequenos investidores? O Citigroup parece achar que sim.
Será fazendo lobby junto dos governos para conseguir negócios ultrajantes para o erário público? O Citigroup, decididamente, acha que sim.

«O Financial Times daria conta mais tarde da existência de um memorando interno do Citi londrino, que aconselhava o banco a lucrar com as diferenças de liquidez entre os mercados obrigacionistas europeus. Uma estratégia que, segundo o jornal, se destinava a abalar "o mercado obrigacionista da zona euro", transformando "o segmento de obrigações estatais europeu num que se pareça mais" com "o mercado de obrigações do Tesouro dos EUA, que é menos transparente e é dominado por um número mais reduzido de bancos de investimento".»
in Público, 16 de Maio de 2006

segunda-feira, maio 15, 2006

Muito se fala do Irão

«No state is known to have successfully constructed a nuclear weapon in secret while subjected to a Nuclear Non-Proliferation Treaty inspection.»

«Mohamed ElBaradei, the head of the International Atomic Energy Agency (IAEA), the UN's nuclear regulatory body, has said that if they wanted to, forty countries could develop nuclear bombs.»

«Iran remains under investigation by the IAEA, who have currently presented no evidence of a nuclear weapons program.»
in Wikipedia.org

Alma não tem cor

alma não tem cor
por que eu sou branco?
alma não tem cor
por que eu sou negro?
branquinho
neguinho
branco negão
percebam que a alma não tem cor
ela é colorida
ela é multicolor
azul amarelo
verde verdinho
marrom

André Abujamra
Aos Vivos
Chico César
1995, Velas

domingo, maio 14, 2006

Santana Lopes avisa...

... que continuará «andando por aí, com a graça de Deus».
Consideremo-nos avisados.

sábado, maio 13, 2006

Discurso directo

«Sr. Presidente [George W. Bush],
Não tem o povo da América Latina o direito de perguntar porque os seus governos eleitos estão a ser contestados e líderes golpistas apoiados? Ou porque devem viver constantemente sob ameaça e no medo?
O povo de África é trabalhador, criativo e talentoso. Ele pode desempenhar um papel importante e válido na satisfação das necessidades da humanidade e contribuir para o seu progresso material e espiritual. A pobreza e o sofrimento estão a impedir que tal aconteça. Não tem ele o direito de perguntar porque a sua riqueza imensa - incluindo minerais - está a ser pilhada, apesar de precisar dela mais que outros?»
Mahmood Ahmedi-nejad
in Carta a George W. Bush
(disponível na
jangada de pedra)

A moral de Evo

Muitos são os comentários «profissionais» sobre as nacionalizações na Bolívia, quase sempre no sentido de as considerar o reaparecimento do espectro do comunismo e outras histórias de assustar. São a devida resposta à exploração desenfreada - e essa sim, história de assustar muitas gerações que lhe sucumbiram - de um povo e uma terra pela sua elite fantoche ao serviço da «World Company». Mas esquecem-se esses comentadores jet-set do verdadeiro sonho que se quer para a Bolívia, com uma futura constituição verdadeiramente revolucionária. Isso sim, gostaria de ver debatido nos sensaborões debates televisivos, em vez de estarem sempre a remexer nas mesmas ideias, nas mesmas mesquinhices.

The revolution will be televised

You will choose to stay at home, brother
For you’ll be able to do everything you need from your potato couch
You’ll be able to [] your virtual helmet and experience the revolution on 360 degrees all-round CGI
You may choose to view as Manga or Hanna-Barbara, as the Hair Bear Bunch
Because the revolution will be televised

The revolution will be brought to you by Apple Mac or PC World
With Nokia and Motorola providing SMS updates
The revolution will show pictures of [] cueing overnight for the latest audition
With [] Waterman and []
Because the revolution will be televised

The revolution will be sponsored by Gap, the Kaki and Camel Collection
And it will star me as you
You will play yourself, or Brad Pitt playing you
Or you playing Brad Pitt playing you
The revolution will be smoked, [], injected, chased or vaporised
It will be recorded on Mini-DV and kept in the pocket
The revolution will be digitised
Than transferred to all available formats
It will appear on your favourite CD as the bonus track
You’ll be able to procure it cheap on VHS
Or pay a little bit more for the extra footage on DVD
Betamax will be available for the old school
[]
With [] tools and grips
The revolution will shoot from the hip

With a soundtrack by Huey Lewis and the News
With remixes available by William Albert, C and C Music Factory and Soul2Soul
Because the revolution will be digitised
The revolution will be scratched, spun back and sampled into loop
It will appear as the red button on your remote control
The revolution will operate a job share or Flexitime option
So you can have it at your leisure
Because the revolution will be televised

The revolution will be burned, highlighted and set
It will have an award ceremony
With the biggest winners unable to attend
Except for [] satellite link because of their current revolutionary commitments
The revolution will be a tea cup in a storm
Or a bottle in a message
Or a door to a key
The revolution will always come with fries
Because the revolution will be televised

There’ll be constant broadband live streams of Rodney King being []
There will be footage of ground zero 9/11
Played in reverse as the towers rebuild themselves
To remind us of what we’re capable of
Because the revolution will be televised

Dramatisation will be produced and directed by George Lucas
Starring Southpark’s Cartman as Bin Laden and George W. Bush as himself
The revolution will be hard, my brothers
Because it will use Viagra, Camagra, [] hardening and []
In order to fit inside Ronald’s HappyMeal box
As the free gift, the revolution will have a new twist
Sponsored by Levi with a sticker campaign written in an illegible graffiti style font
Because the revolution will be advertised
And pay-per-view will have a whole new meaning, brothers
The revolution will be available for Gameboy [] and Xbox and Gamecube today
The revolution will be televised
Will be televised
Will be televised, brothers
Because the revolution is alive.
Smoove

Smoove
Dead Men's Shirts
2005, Acid Jazz Records